Vale a pena gastar com Treinamento?

Dá-se muita atenção ao custo de se realizar algo. E nenhuma ao custo de não realizá-lo.
Philip Kotler

Falar de Treinamento e Desenvolvimento no país da improvisação é quase uma heresia. O país do jeitinho não convive muito bem com conceitos voltados ao aprimoramento e aperfeiçoamento através do treinamento e do estudo.
Aqui todos nasceram aptos. Somos candidatos a Pelés, nos nossos respectivos segmentos de atuação, antes mesmo de chutar a primeira bola. Alias, chutar acaba virando uma prática aceita, querida e consagrada.
Quantos de nós lemos o manual do equipamento antes de ligar na tomada? Uma porcentagem simbólica. Achamos até engraçado alguém ter este tipo de preocupação. Preferimos o empírico, o velho “tentativa erro” e, ainda, reclamamos quando não dá certo.
O triste da história é que não aplicamos isto apenas em nós mesmos. Quando chegamos a chefes fazemos questão de utilizar a mesma brilhante metodologia de formação nos nossos subordinados. “Aqui não temos tempo para treinamento, temos muito trabalho” costuma ser uma das frases favoritas. Acreditamos piamente que os conhecimentos vêm por obra e graça do espírito santo ou através da benevolência de São Tomé, o padroeiro da melhores práticas da “tentativa e erro”.
O funcionário foi promovido a gerente depois de um bom trabalho como técnico? Ótimo, vai destruir umas três ou quatro equipes antes de aprender a gerenciar subordinados. Bem, isto na melhor das hipóteses. Normalmente, ele morre sem saber por que era tão odiado pelo time. Como efeito colateral ainda cria uma leva de subordinados que quando guinados a posições gerenciais, por falta de treinamento, repete os modelos de gestão aprendidos às bordoadas. A incompetência se espalha como uma doença.
O funcionário demorar 5 horas para fazer um trabalho que com o treinamento adequado demandaria 1 hora? Paciência. Quem tem tempo para aprender a forma correta de fazer? Quem tem tempo para ser treinado? Quem tem dinheiro para investir nisso? É melhor ficar vendo a barriga aumentar em frente à televisão.
O funcionário entra em pânico quando recebe a ordem para executar um serviço para o qual não foi preparado? Cria-se um stress desnecessário, cria-se um ambiente pesado, cria-se um peso morto apenas por que improvisar é coisa de esperto, ser treinado é coisa de otário.
Conheci um executivo que adorava comentar que em reuniões com profissionais de outras áreas, conseguia discorrer com muita convicção sobre assuntos que ele não conhecia. Como nunca tive a chance de perguntar (aos outros) o que eles achavam da qualidade do discurso, só posso imaginar o papelão que ele fazia. Isto, partindo da base que, pelo menos, o responsável pelo assunto conhecia o tema. É fácil adivinhar que a empresa que ele dirigia não teve vida longa e depois de dois anos fechou as portas e demitiu todos os funcionários.

Todo dinheiro gasto em treinamento é dinheiro bem gasto. Apenas fique de olho em alguns detalhes que podem comprometer o resultado:

- Cuidado com treinamento que é focado apenas em teoria e não disponibiliza as ferramentas necessárias à aplicação prática do conhecimento adquirido;

- Esteja atendo a treinamentos que não conseguem romper paradigmas organizacionais, pessoais ou culturais;

- Lembre-se que ao escolher o público-alvo, é importante considerar que o participante pode não estar em um momento pessoal ou profissional adequado à realização do treinamento. Verifique isto antes;

- Finalmente, esteja consciente que o participante pode não ter o perfil adequado para a função que exerce e dificilmente aproveitará o conhecimento recebido.
Evite estas armadilhas e só terá motivos para comemorar.

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